terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pôneis Malditos

A unificação do povo mongol por Genghis Khan, no início do século XIII, pode ser considerado um marco na história da humanidade. A partir daquele momento, muitos e muitos povos pela Ásia e depois pela Europa não souberam o que era paz, pelo menos até que o Império entresse em colapso, esmagado pelo próprio peso.

A capacidade deste terrível exército foi lendária, a ponto de seus inimigos realmente acreditarem que eram invencíveis. Com extrema disciplina, organização e crueldade, faziam cidades inteiras tremerem somente pela suposição de que eles estavam a caminho. Samarkand, na Pérsia, uma poderosa e influente cidade, foi devastada em poucos dias. Nem sequer os animais eram poupados da barbaridade e frieza das estepes.

Não havia nada que pudesse para-los. Não havia nada que impedisse-os de destruir o que bem dessejassem seus generais. Mas havia uma falha no exército. Não uma falha que os pudesse levar a derrota, é claro. Mas uma que poderia, pelo menos, rebaixar sua grandeza. Algo para que suas vítimas pudessem rir enquanto eram perfuradas por chuvas de flechas, disparadas pelos letais arcos curvos dos mangudais...

Os mongóis devastavam todo aquela parte do planeta montados em pôneis! Seus lendários arqueiros montados não tinham os grandes e imponentes cavalos de guerra que se faz imaginar, mas pequenos e meigos pôneis das estepes. Vigorosos e rápidos, é verdade, resistentes ao mais rigoroso inverno e ao mais escaldante deserto. Mas ainda assim pôneis. Qualquer um que ameaçasse rir desta característica era imediatamente amarrado a alguns destes animais e esquartejado pelo movimento centrífugo deles, mas eles eram tão fofinhos!

Enfim, se não era possível enfrentá-los, pelo menos era possível se encantar com suas montarias. Ainda hoje na Mongólia esse animais continuam a resistir às mais terríveis imposições da natureza e a servir os humanos em seus desígnios, sejam estes tão sanguinários como devastar nações ou tão nobres como alegrar crianças.