quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sobre Meninos e Tatu-Bolas

"Quando eu era criança, era comum, mas hoje em dia é raro". É isso que você irá ouvir 90% das vezes que interrogar um não-criança sobre a aparição desse curiosos animais, segundo a lenda o único crustáceo terrestre. Realmente, eu fico intervalos imensos sem os ver hoje em dia, enquanto me lembro de encontra-los quase diariamente enquanto infante...

Mas talvez o que tenha mudado não seja a presença real destes seres, mas a nossa capacidade de encontra-los. Teríamos que recorrer aos maiores especialistas nos assunto para identificar se houve verdadeiramente uma queda no número destes animais, a saber, as crianças. Talvez elas continuem encontrando estes seres tão bem protegidos dos perigos do mundo, não por sua carapaça frágil, mas pelo encanto que causa nos pequenos que decidem, por isso, poupa-los.

Uma possível explicação é que os jovens possuem os olhos e as mentes mais próximas do pó de onde viemos. Eles costumam revirar as pedras e plantas em busca de tesouros enterrados e fósseis ancestrais escondidos - porque não? - em um quintal. Adultos que vasculhem o terreno desta forma tendem a não ser muito bem vistos pela sociedade, sabe como é, pega mal... Desta forma, é somente uma questão de probabilidade que a idade seja inversamente proporcional a quantidade de tatuzinhos encontrados.

Mas é claro que a verdade não seria tão simplória e desprovida de mágica assim. Essas explicações servem somente para matar a busca pelo místico que existe dentro de cada guri. Assim como o ser em questão demonstra uma capacidade volvacional física, também apresenta esta qualidade do ponto de vista psicológico. Ele é capaz de nos fazer voltar ao nosso estado mental infantil quando aparece. Desperta em todos nós uma doce nostalgia, do tempo em que éramos piratas em busta de rum sabor groselha ou que eramos cientístas prestes a descobrir qualquer coisa de incrível ao queimar formigas com lupas. Talvez os pequenos bichos-de-conta sejam enviados do mundo de faz-de-conta, trazendo uma mensagem urgente do passado para nós, que só o nosso subconsciente que desperta é capaz de desvendar.

Ou talvez eles sejam a própria materialização desta nostalgia, quando elas atingem níveis críticos. A supersaturação da criatividade e da inocência da primeira idade se precipitariam na forma de uma pequena criatura, trazida ao plano material para nos lembrar de pensar que o mundo pode sim ser um local fantástico e encandador.