Quando se observa o padrão de distribuição das rodas de conversas em locais públicos, é possível verificar que eles se concentram nos pontos mais estreitos de passagem. Não basta apenas estarem alocados nos estreitos corredores ao invés de estarem no amplo salão logo ao lado. É quase que obrigatório que estejam dispostas próximas a um bebedouro, porta de banheiro, vasos de plantas tamanho gigante ou qualquer outra coisa que contribua na obstrução que causarão nos corredores.
Geralmente as pessoas conversarão tranquilamente nesta situação, sem se preocupar se massas de pessoas tentando atravessar a passagem, que agora mais parece a batalha das Termópilas, estão apressadas ou reclamando. O único que irá se preocupar é aquele que tem as costas voltadas para a multidão e está sendo sutilmente espancado por esta.
Muitas são as possíveis explicações para este fenômeno. A primeira e mais simplista é que são nestes pontos onde as pessoas mais se encontram e, não estando longe suficiente só para acenar e seguir seu caminho, são obrigadas a parar e conversar. Geralmente como todos os seres humanos, acabam não percebendo quando são incômodos para o ambiente em torno deles e não cogitam se retirar para um local mais adequado para encerrar o assunto.
A segunda e mais maldosa é semelhante a primeira, mas infere que o fato de estar incomodando os transeuntes acrescenta prazer à conversa.
A terceira e mais pseudointelectual é que as pessoas que permaneciam nos estreitamentos da passagem durante a evolução humana se beneficiavam disto de alguma maneira. Talvez cobrando pedágio e gerando uma estrutura melhor para seus descendentes, talvez tendo mais chance de encontrar parceiros sexuais disponíveis, sei lá.
De qualquer maneira, o resultado empírico não mente. As pessoas, ao coagularem umas com as outras, se depositam nos estreitamentos dos vasos sociais.