segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Caso Bielorussia

Todo o mundo sabe que os E.U.A. lutam pela liberdade, em todas as suas variantes. E azar de quem não sabe, apanha. O conceito de liberdade imposta deve ser uma coisa muito complexa, porque eu não consigo diferenciar de outras imposições que uma ditadura faz, exceto pelo fato de não ser tão comum impor liberdade. Ou talvez eu seja muito limitado, só isso.

Para manter uma aparência de amizade, que se reflete diretamente na economia, muitos países apoiam essa luta contra os tiranos, tiranizando os povos que, mesmo indiretamente, os permitem. Os inimigos da democracia e do bom convívio global sempre estão em algum lugar distante, senão geograficamente, pelo menos filosoficamente. Acreditam em uma religião maluca, tem nomes escritos com letrinhas engraçadas e, por vezes no passado distante, quase destruiram o que chamávamos de civilização. O fato de que esses bárbaros eram muito mais avançados em matemática, astronomia, tolerância religiosa et cetera não é discutido, diferente do que ocorre hoje, com a afirmação de que o que a "ocidentalidade" faz é para o bem daqueles que estão sendo bombardeados.

Mas o que acontece quando o monstro tirano está, literalmente e metaforicamente, do seu lado? Quando este compartilha princípios culturais tão antigos, fica delicado taxá-lo como malvado, pode pegar mal... Este é o caso da Bielorussia, o último resquício de ditadura na Europa, uma terra tão civilizada. Claro, foi comunista, e por isso vista como vilã por algum tempo. Mas isso já passou, foi só um delírio marxista da Russia que respingou nos vizinhos, e os inimigos de verdade sempre estiveram além dos mares, naqueles desertos de onde nada de bom pode vir, exceto petróleo.

A Bielorrusia tem o mesmo presidente desde 1994, Lukashenko, sendo que obteve sua independência da URSS em 1991. Em 2006, o canditado da oposição, Kazulin, foi detido e espancado pela polícia em um protesto. A própria Europa acusou as eleições do pais de serem fraudulentas, atrvés da OSCE, e a ex-secretária de estado dos E.U.A., Condoleezza Rice, classificou o país como uma das seis nações que funcionam como bastiões da tirania. Mas nenhuma atitude foi tomada com relação a isso, pelo menos nenhuma mais enfática.

Enquanto todos nós vimos e ouvimos horrores sobre o Afeganistão e Iraque, ninguem nem sequer sabe onde fica a Bielorussia. O regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad, no Irã, passa pelas mesmas acusações da Bielorussia, mas por isso correm o risco de serem destruídos, pois é melhor povo nenhum do que povo tiranizado quando se trata de mulçumanos com petróleo. Talvez ainda estamos tentando nos vingar de quando Roma, o primeiro dos Imperios ocidentais, foi humilhado pela Pérsia na batalha de Carrae, o primeiro dos adversários da Democracia grega e da vontade de conquistar para civilizar dos romanos.

E ficamos nesse impasse, como advertir um coleguinha do nosso grupinho que está fazendo algo que não é tão condenável assim, mas que se não fosse coleguinha, seria uma coisa demoníaca? Como assumir que mesmo na culta e elegante Europa, ainda exista repreensão do pensar, no agir? Talvez tenha se tomado a melhor atitude para se manter a classe, que é simplesmente não tocar no assunto...

Um comentário:

  1. Gostei bastante deste texto, André! Você conseguiu debater melhor o assunto, colocando exemplos que nos aproximam. Parabéns! \o/

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