quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Teoria do Encaixe

Hoje eu consegui enchar a minha barra de criatividade inútil e usá-la em um combo para criar uma nova teoria! Depois de uma meia lua para trás + soco forte filosófico me veio essa ideia: por quê os bebês brincam com aquelas peças de plástico onde eles precisam descobrir o que encaixa aonde e os adultos não fazem isso?

Claro, cuidemos para manter as proporções. Não é educativo tampouco divertido um adulto encaixando quadrados plásticos em buracos equivalentes, apesar de eu achar que alguns talvez teriam dificuldades. Os bebês fazem isso para desenvolver o senso lógico, visão espacial e talvez mais algumas coisas, mas isso pouco ajudaria depois de uma certa idade. Mas o que me pareceu falho foi que encerramos o treinamento por aí. Depois de algum tempo abandonamos a lógica e paramos de nos esforçar para encaixar os modelos em seus moldes.

Quer dizer, todos sabem que isso é enriquecedor para os pretendentes a adultos, ou é o que parece. Não tenho formação de pedagogo, mas nunca ouvi nenhum dizer o contrário. Acontece que isso também seria interessante depois, extrapolando as medidas. Precisamos aprender, como adultos, a encaixar cada coisa no seu lugar correto, e uma parte do caos que vivemos, enquanto humanidade, parece surgir da falta de bloquinhos metafóricos.

Raramente compreendemos perfis que se adequam a profissões, por exemplo. Não cuidamos para encaixar pessoas honestas nos cargos políticos, que de maneira velada são nossos funcionários mais importantes. Ajeitamos todos os jovens em um molde, o vestibular, para determinar o que eles serão na vida. Esquecemos que essa mesmo molde exige somente uma avalição simples e insatisfatória de cada candidato. Qualquer pessoa que transborde conhecimento pode ser um médico na nossa sociedade, exetuando situações particulares. Porém, não exigimos respeito pelo sofrimento destas pessoas, uma caracterísca fundamental para alguem que irá encarar esta condição diariamente.

Esquecemos de adequar os nossos desejos à nossa capacidade de consumo, o que é trágico. Queremos passar um grande círculo de bens em um pequeno triângulo bancário, e depois culpamos "os capitalistas" pela crise financeira. Também forçamos um grande ego através de uma estreita passagem para a boa convivência, e quando danificamos a estrutura social que compõe os instrumentos, nos recusamos a ver o que aconteceu de errado.

Assim como os bebês, várias vezes precisaremos de múltiplas tentativas para perceber o que encaixa aonde. Na mentalidade infantil, um losango pode se assemelhar muito a uma estrela. Mas é por tentativa e erro, associada à reflexão que todos nós um dia descobrimos como fazer as peças coloridas entrarem na grande caixa. Façamos novamente este exercício na vida adulta para descobrir que pessoas e que comportamentos se adequam a cada situação.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Caso Bielorussia

Todo o mundo sabe que os E.U.A. lutam pela liberdade, em todas as suas variantes. E azar de quem não sabe, apanha. O conceito de liberdade imposta deve ser uma coisa muito complexa, porque eu não consigo diferenciar de outras imposições que uma ditadura faz, exceto pelo fato de não ser tão comum impor liberdade. Ou talvez eu seja muito limitado, só isso.

Para manter uma aparência de amizade, que se reflete diretamente na economia, muitos países apoiam essa luta contra os tiranos, tiranizando os povos que, mesmo indiretamente, os permitem. Os inimigos da democracia e do bom convívio global sempre estão em algum lugar distante, senão geograficamente, pelo menos filosoficamente. Acreditam em uma religião maluca, tem nomes escritos com letrinhas engraçadas e, por vezes no passado distante, quase destruiram o que chamávamos de civilização. O fato de que esses bárbaros eram muito mais avançados em matemática, astronomia, tolerância religiosa et cetera não é discutido, diferente do que ocorre hoje, com a afirmação de que o que a "ocidentalidade" faz é para o bem daqueles que estão sendo bombardeados.

Mas o que acontece quando o monstro tirano está, literalmente e metaforicamente, do seu lado? Quando este compartilha princípios culturais tão antigos, fica delicado taxá-lo como malvado, pode pegar mal... Este é o caso da Bielorussia, o último resquício de ditadura na Europa, uma terra tão civilizada. Claro, foi comunista, e por isso vista como vilã por algum tempo. Mas isso já passou, foi só um delírio marxista da Russia que respingou nos vizinhos, e os inimigos de verdade sempre estiveram além dos mares, naqueles desertos de onde nada de bom pode vir, exceto petróleo.

A Bielorrusia tem o mesmo presidente desde 1994, Lukashenko, sendo que obteve sua independência da URSS em 1991. Em 2006, o canditado da oposição, Kazulin, foi detido e espancado pela polícia em um protesto. A própria Europa acusou as eleições do pais de serem fraudulentas, atrvés da OSCE, e a ex-secretária de estado dos E.U.A., Condoleezza Rice, classificou o país como uma das seis nações que funcionam como bastiões da tirania. Mas nenhuma atitude foi tomada com relação a isso, pelo menos nenhuma mais enfática.

Enquanto todos nós vimos e ouvimos horrores sobre o Afeganistão e Iraque, ninguem nem sequer sabe onde fica a Bielorussia. O regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad, no Irã, passa pelas mesmas acusações da Bielorussia, mas por isso correm o risco de serem destruídos, pois é melhor povo nenhum do que povo tiranizado quando se trata de mulçumanos com petróleo. Talvez ainda estamos tentando nos vingar de quando Roma, o primeiro dos Imperios ocidentais, foi humilhado pela Pérsia na batalha de Carrae, o primeiro dos adversários da Democracia grega e da vontade de conquistar para civilizar dos romanos.

E ficamos nesse impasse, como advertir um coleguinha do nosso grupinho que está fazendo algo que não é tão condenável assim, mas que se não fosse coleguinha, seria uma coisa demoníaca? Como assumir que mesmo na culta e elegante Europa, ainda exista repreensão do pensar, no agir? Talvez tenha se tomado a melhor atitude para se manter a classe, que é simplesmente não tocar no assunto...

sábado, 19 de novembro de 2011

Rebecca Black e a Filosofia

Na verdade, essa ideia me surgiu para fazer piada, mas ela realmente pode causar algum tipo de reflexão, então acho que vale a pena ser escrita. Ela envolve Rebecca Black, uma quase cantora adolescente dos E.U.A., que publicou um clip na internet. Eu colocaria o vídeo aqui, mas não tenho conhecimento suficiente para isso, então colocarei só a página onde se encontra. http://www.youtube.com/watch?v=ytZPMcI8f1A

Com excepcionais 15655 pessoas não gostando do vídeo no momento que esse texto foi escrito, só na versão legendada em português, o tema virou motivo de piada entre pessoas do mundo inteiro. Para ler o texto você já deveria ter visto o clipe, mas se está com preguiça, eu resumo. É uma menina que quer curtir a sexta feira e fica dançando em um carro dirigido por um rapaz que parece ter 14 anos, mas vai saber...

Eu, com minha incrível capacidade, senão um superpoder, de associar coisas que não tem nada a ver, inventei a estória de que na verdade Rebecca Black é uma estudante de filosofia fazendo uma imensa crítica social. Como pode jovens que tem uma certa dificuldade em contar os dias da semana ou escolher o lugar onde se sentarão(não vou explicar, veja o vídeo) querer sair sexta a noite para uma festa?

A completa falta de prioridades dessse jovens está causando um distúrbio da sociedade como nós a conhecemos, onde primeiro deveria vir as responsbilidades (estudar, por exemplo, se bem que acho que ninguém estuda a ordem dos dias da semana...) e depois a diversão. A gravidez na adolescência é um ótimo exemplo, quando jovens querem copular antes de aprenderem sobre métodos contraceptivos, e prejudicam assim a sua formação profissional e o futuro de seus filhos, que crescerão sem uma base sólida, a não ser que os pais desses jovens resolvam assumir a responsabilidade. No fundo talvez seja esse o problema, a garotada que nunca teve que suportar as consequências de seus atos.

Seria bacana se isso fosse verdade, se os jovens começassem a entender que o mundo não vai acabar amanhã (talvez em 2012) e que aprendessem a ter visão criticas antes de se embebedar e dirigir, que voltassem com a ideologia que havia entre essa classe algum tempo atrás, que fossem a mudança que gostariam de ver no mundo. Mas isso é uma outra discussão que pode levar séculos, e também não parece que vai acontecer tão cedo...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Trombos Humanos

Essa é uma reflexão antiga, do tempo da faculdade, baseada na observação dos corredores desta. Se baseia na analogia entre trombos vasculares e consequente obstrução causada por eles, na teoria médica aceita atualmente e o comportamento das pessoas que se encontram casualmente e param para conversar.

Quando se observa o padrão de distribuição das rodas de conversas em locais públicos, é possível verificar que eles se concentram nos pontos mais estreitos de passagem. Não basta apenas estarem alocados nos estreitos corredores ao invés de estarem no amplo salão logo ao lado. É quase que obrigatório que estejam dispostas próximas a um bebedouro, porta de banheiro, vasos de plantas tamanho gigante ou qualquer outra coisa que contribua na obstrução que causarão nos corredores.

Geralmente as pessoas conversarão tranquilamente nesta situação, sem se preocupar se massas de pessoas tentando atravessar a passagem, que agora mais parece a batalha das Termópilas, estão apressadas ou reclamando. O único que irá se preocupar é aquele que tem as costas voltadas para a multidão e está sendo sutilmente espancado por esta.

Muitas são as possíveis explicações para este fenômeno. A primeira e mais simplista é que são nestes pontos onde as pessoas mais se encontram e, não estando longe suficiente só para acenar e seguir seu caminho, são obrigadas a parar e conversar. Geralmente como todos os seres humanos, acabam não percebendo quando são incômodos para o ambiente em torno deles e não cogitam se retirar para um local mais adequado para encerrar o assunto.

A segunda e mais maldosa é semelhante a primeira, mas infere que o fato de estar incomodando os transeuntes acrescenta prazer à conversa.

A terceira e mais pseudointelectual é que as pessoas que permaneciam nos estreitamentos da passagem durante a evolução humana se beneficiavam disto de alguma maneira. Talvez cobrando pedágio e gerando uma estrutura melhor para seus descendentes, talvez tendo mais chance de encontrar parceiros sexuais disponíveis, sei lá.

De qualquer maneira, o resultado empírico não mente. As pessoas, ao coagularem umas com as outras, se depositam nos estreitamentos dos vasos sociais.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pressão alta

Outro dia, andando por perto da faculdade, eu vi um posto de prevenção à pressão alta. Tinha um cartaz que dizia mais ou menos assim: "Pressão alta pode matar. Afeta uma grande parte da população. Você pode ter pressão alta! Faça aqui os exames e descubra."

Achei fantástico! Quer dizer, estou andando tranquilo, descubro que posso morrer a qualquer instante, minha pressão sobe. Então eu faço o teste, a pressão realmente está alta, me dizem "ainda bem que descobriu a tempo". Me trato o resto da vida, feliz por não morrer de pressão alta e morro de efeitos colaterais das drogas.

É claro, a campanha serve para reduzir o número de óbitos decorrentes deste mal que afeta a sociedade atual. Só foi possível graças a modernidade, que disponibilizou o diagnóstico fácil para todos e que gerou drogas boas o suficiente para um tratamento adequado, em quantidades massivas que precisam ser vendidas. Bom que a situação que causou o problema possa resolve-la com uma quantidade aceitável de efeitos colaterais e ainda sair como heroína!

Mas quando se reduz os óbitos decorrente da pressão alta, não se aumenta o de cancêr, ou de pneumonia, ou de qualquer outra coisa? Não se deveria fazer uma campanha pela melhor qualidade de vida, o que não só reduziria a pressão e aumentaria a expectativa de vida, como a tal campanha, mas também previniria outras doenças e geraria um bem estar para o público alvo, com a prática de exercícios, dieta saudável, tempo livre em quantidade e qualidade suficiente?

Falando sério, quem quer viver uma vida saudável, quando é mais fácil ingerir uns comprimidos? Comprimidos que foram comprados com o dinheiro do trabalho excessivo e horas de trânsito, que causaram o aumento de pressão. É mais fácil viver anestesiado mentalmente, sem pensar em qualquer coisa dessas e tomar logo o remédio que o médico mandou.

O que é reflexão?

O sr. Michaelis explica:

reflexão
re.fle.xão
(cs) sf (lat reflexione) 1 Ato ou efeito de refletir. 2 Prudência, juízo, tino, pensamento sério. 3 Meditação. 4 Volta ou retrocesso que faz o corpo elástico, saltando do corpo a que foi bater. 5 Desvio de direção que sofre um corpo, quando, animado de certa velocidade, encontra outro corpo resistente; ricochete. 6 Retorno da luz ou do som. 7 Fís Fenômeno que se verifica quando um raio de luz ou de calor incide sobre uma superfície plana e polida, voltando para o meio de onde partiu. 8 Psicol Ato em virtude do qual o pensamento se volta sobre si mesmo para examinar seus elementos e combinações. 9 Filos Atenção aplicada às operações do entendimento, aos fenômenos da consciência e às próprias idéias. 10 Consideração atenta de algum assunto; cálculo, raciocínio; aplicação do entendimento, da razão. 11 Argumento, comentário, observação, ponderação. 12 Argumento contrário, objeção, réplica. R. completa, Filos: o estudo do pensamento; a razão debruçando-se sobre si mesma. R. moral: exame de consciência.

Portanto, a ideia (agora sem acento) deste blog é aplicar este fenômeno às situações corriqueiras, que muitas vezes são tomadas como "normal" (que seguem a norma), mas na verdade são assustadoras, maravilhosas etc etc.

Claro, talvez este padrão se desvirtue, mas espero que se mantenha sempre o espírito inicial, de estimular o raciocínio e a crítica saudável.